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           Que troço é poesia,

       se não traço de amor,

                rancor e alegria?


Olha pra mim, assim

                                            e ainda não sei se

é cega por mim

                                             ou nega me ver

 

 Pelo menos, um suspiro
               antes dum só grito
           pelo dente do vampiro.

           O que sinto em mim

                 não é morrer

             é vivendo sem ti,

       sentindo não viver.


Feito foice, o vento
          a calada da noite,

          a descala com seu fio.


Cadê água do rio? (ah, choro me vem)
Rio, meu bem, como riso vazio, seca-se também.

 


Num canto, somente

    Achei lápis e um papel

         Já, tinta ainda quente

              No sangue de seu véu

 

               E risquei essas linhas

         Rimadas como o medo

     De seres minha sozinha

 Minha morta em segredo.

 

 


Se voando me sinto

Resisto ao céu ficar

Onde você passarinho

Canta sibilar extinto

Colorindo meu voar

 

Eu, distante, imagino

Num destino adiante

Sonhar comigo, menino

Passarinho cantante

Ao lado seu, brilhante

Menina do peito colorido

 

Onde as cores mistas

Amarelo e o branco
E marrom são encantos

Ao poeta romancista

A mim, pobre colibri

Que recita o desejo

De cantar bem te vejo

                         vejo

                                bem

                                       te

                                           vi.

 

 

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São dez palavras, secas, escritas. Se dizem caladas, digo egoístas.

Ora, por que poesia?

Muitos de nós vivemos em busca de alguns significados, porques. Explicações para o que sentimos, desejamos, ou até porque as vezes sorrimos e choramos. Para isso, textos científicos e autoajudas, cheios de porques, são escritos para nos confortar e fazer parecer que, para tudo, existe para tudo um porque.
Diante desses complexos, a poesia é mais simples. Ela não tem significados, porques. Ela é como o amor que sentimos e não sabemos explicar porque, simplesmente, não há um porque. A poesia é apenas sentimento passageiro, um desenho irresponsável com as palavras que sai da cabeça, corre pelo papel e alí fica. Alí fica sem sabermos porque.

O auto-autor:

Tiago Ribeiro é estudante de jornalismo e vive sob a liberdade da música. Não acredita no dinheiro como fonte de felicidade e em pessoas que não o olhe nos olhos – acredita nas crianças. Dorme pouco para viver mais, e acorda cedo para ver o sol.

Para parar para pensar:

“Há tempos, desde que o fura-fila é tido como esperto, a palavra corrupção está distorcida.”

Que fiz eu?

E-mail:

tiago.ribeiros@terra.com.br