Que troço é poesia,
se não traço de amor,
rancor e alegria?
Sinceramente sincero
Que troço é poesia,
se não traço de amor,
rancor e alegria?
Olha pra mim, assim
e ainda não sei se
é cega por mim
ou nega me ver
Pelo menos, um suspiro
antes dum só grito
pelo dente do vampiro.
O que sinto em mim
não é morrer
é vivendo sem ti,
sentindo não viver.
Feito foice, o vento
a calada da noite,
a descala com seu fio.
─ Cadê água do rio? (ah, choro me vem)
─ Rio, meu bem, como riso vazio, seca-se também.
Num canto, somente
Achei lápis e um papel
Já, tinta ainda quente
No sangue de seu véu
E risquei essas linhas
Rimadas como o medo
De seres minha sozinha
Minha morta em segredo.
Se voando me sinto
Resisto ao céu ficar
Onde você passarinho
Canta sibilar extinto
Colorindo meu voar
Eu, distante, imagino
Num destino adiante
Sonhar comigo, menino
Passarinho cantante
Ao lado seu, brilhante
Menina do peito colorido
Onde as cores mistas
Amarelo e o branco
E marrom são encantos
Ao poeta romancista
A mim, pobre colibri
Que recita o desejo
De cantar bem te vejo
vejo
bem
te
vi.