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─ Cadê água do rio? (ah, choro me vem)
─ Rio, meu bem, como riso vazio, seca-se também.
Num canto, somente
Achei lápis e um papel
Já, tinta ainda quente
No sangue de seu véu
E risquei essas linhas
Rimadas como o medo
De seres minha sozinha
Minha morta em segredo.
Cai céu, lares
Sai poesia, tempo
Em ares de desastres
Com dor, me ausento.
Cem letras
A conta poderia
Descontar traços
De uma melancolia
Poesia despedaço
Que se afaga
Se concentra
Com palavras
E cem letras.
Dez palavras
Secas e descritas
Se dizem caladas
Digo egoístas.
Sol, quando pedi
Que chuva voltasse
Sofri, senti e te feri
Como se a ti amasse.
Hoje sem inspiro
Lápis tem espinho
Se o toco, suspiro
E anoto desinspiro.