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A sobrinha 

 

Oi Tia
Que fazes?
- Uma poesia
Cale-se. 

 

Tia é braba
Da ira a autora
É unha encravada
Se acha escritora

 

Podia ser bela
Se feia não fosse
Pra sereia e donzela
Falta um jeito doce

 

É toda salgada
Como sua linha
Reta e mal amada
Discreta cópia minha.

Toque de flor

 

Rosa amarela
Em terra e vaso
Flor de primavera

Sincera: é cravo

 

De dia cor-de-rosa

De noite perverso

Já foi uma prosa

Hoje é um verso

 

Rimado com espinho

Seco e não regado

Secado a sol sozinho

Só, nunca molhado

 

Mas cravo então

Beijado sente dor

Pois beijo é ilusão
Era só o beija-flor.

Soturno

 

Um toc na calçada
À meia-luz do poste

São toques da pisada

Dum ex-cara de sorte

 

Que caras não vê

Porque é escuro
E tudo o que lê

É algo no muro

 

Em letra de menina

Que diz: fui embora
E ele diz: assassina
Meu eu ainda te namora

 

Sem seu telefone

O silêncio é castigo

 E o som do saxofone

É seu único amigo.

Lennon

 

Um tom elétrico
Violão outro dom
Lennon frenético
Um Beatle som

Que hoje sonhei
Mas hoje descansa
E ontem chorei
Era lembrança 

De toda sua paz
Do tiro impulsivo
Que ainda me faz
Imaginar ele vivo.

Maldita

 

Havia uma flor

Doce e bem rosa

Mas o beija-flor

Hoje mal toca

 

 Porque na mesa

Maquiada a pó

De cor violeta
Está você a só

 

Onde a cirurgia

Para sua cura

É minha poesia

Maldita e escura

 

A você amada

Com todo sabor

És bela deitada

Morta meu amor.


Curta!

São dez palavras, secas, escritas. Se dizem caladas, digo egoístas.

Ora, por que poesia?

Muitos de nós vivemos em busca de alguns significados, porques. Explicações para o que sentimos, desejamos, ou até porque as vezes sorrimos e choramos. Para isso, textos científicos e autoajudas, cheios de porques, são escritos para nos confortar e fazer parecer que, para tudo, existe para tudo um porque.
Diante desses complexos, a poesia é mais simples. Ela não tem significados, porques. Ela é como o amor que sentimos e não sabemos explicar porque, simplesmente, não há um porque. A poesia é apenas sentimento passageiro, um desenho irresponsável com as palavras que sai da cabeça, corre pelo papel e alí fica. Alí fica sem sabermos porque.

O auto-autor:

Tiago Ribeiro é estudante de jornalismo e vive sob a liberdade da música. Não acredita no dinheiro como fonte de felicidade e em pessoas que não o olhe nos olhos – acredita nas crianças. Dorme pouco para viver mais, e acorda cedo para ver o sol.

Para parar para pensar:

“Há tempos, desde que o fura-fila é tido como esperto, a palavra corrupção está distorcida.”

Que fiz eu?

E-mail:

tiago.ribeiros@terra.com.br