Arquivo para Dezembro, 2008


Se voando me sinto

Resisto ao céu ficar

Onde você passarinho

Canta sibilar extinto

Colorindo meu voar

 

Eu, distante, imagino

Num destino adiante

Sonhar comigo, menino

Passarinho cantante

Ao lado seu, brilhante

Menina do peito colorido

 

Onde as cores mistas

Amarelo e o branco
E marrom são encantos

Ao poeta romancista

A mim, pobre colibri

Que recita o desejo

De cantar bem te vejo

                         vejo

                                bem

                                       te

                                           vi.

 

 


Se nasce bela flor

Aquela lá no azulejo

Será que sente dor?

 Ou só sente o desejo

De nascer na terra

o
n

d

e

 

é

 

c
i
m

e
n
t
o
.


Dito perverso

Verso foi maldito

Do bem foi inverso

Mal ou bem escrito.


Curta!

São dez palavras, secas, escritas. Se dizem caladas, digo egoístas.

Ora, por que poesia?

Muitos de nós vivemos em busca de alguns significados, porques. Explicações para o que sentimos, desejamos, ou até porque as vezes sorrimos e choramos. Para isso, textos científicos e autoajudas, cheios de porques, são escritos para nos confortar e fazer parecer que, para tudo, existe para tudo um porque.
Diante desses complexos, a poesia é mais simples. Ela não tem significados, porques. Ela é como o amor que sentimos e não sabemos explicar porque, simplesmente, não há um porque. A poesia é apenas sentimento passageiro, um desenho irresponsável com as palavras que sai da cabeça, corre pelo papel e alí fica. Alí fica sem sabermos porque.

O auto-autor:

Tiago Ribeiro é estudante de jornalismo e vive sob a liberdade da música. Não acredita no dinheiro como fonte de felicidade e em pessoas que não o olhe nos olhos – acredita nas crianças. Dorme pouco para viver mais, e acorda cedo para ver o sol.

Para parar para pensar:

“Há tempos, desde que o fura-fila é tido como esperto, a palavra corrupção está distorcida.”

Que fiz eu?

E-mail:

tiago.ribeiros@terra.com.br