Arquivo para Novembro, 2008


Cai céu, lares

Sai poesia, tempo

Em ares de desastres

Com dor, me ausento.

Cem letras

 

A conta poderia

Descontar traços

De uma melancolia
Poesia despedaço

 

Que se afaga

Se concentra

Com palavras

E cem letras.


Dez palavras

Secas e descritas

Se dizem caladas

Digo egoístas.

 


Sol, quando pedi
Que chuva voltasse
Sofri, senti e te feri
Como se a ti amasse.

Hoje sem inspiro
Lápis tem espinho
Se o toco, suspiro
E anoto desinspiro.

 


Curta!

São dez palavras, secas, escritas. Se dizem caladas, digo egoístas.

Ora, por que poesia?

Muitos de nós vivemos em busca de alguns significados, porques. Explicações para o que sentimos, desejamos, ou até porque as vezes sorrimos e choramos. Para isso, textos científicos e autoajudas, cheios de porques, são escritos para nos confortar e fazer parecer que, para tudo, existe para tudo um porque.
Diante desses complexos, a poesia é mais simples. Ela não tem significados, porques. Ela é como o amor que sentimos e não sabemos explicar porque, simplesmente, não há um porque. A poesia é apenas sentimento passageiro, um desenho irresponsável com as palavras que sai da cabeça, corre pelo papel e alí fica. Alí fica sem sabermos porque.

O auto-autor:

Tiago Ribeiro é estudante de jornalismo e vive sob a liberdade da música. Não acredita no dinheiro como fonte de felicidade e em pessoas que não o olhe nos olhos – acredita nas crianças. Dorme pouco para viver mais, e acorda cedo para ver o sol.

Para parar para pensar:

“Há tempos, desde que o fura-fila é tido como esperto, a palavra corrupção está distorcida.”

Que fiz eu?

E-mail:

tiago.ribeiros@terra.com.br