À
Não conhece sequer o seu cheiro
Sabe que existe mas nunca sentiu
Soluça e se tranca no banheiro
Lendo a carta cuja reposta nunca existiu
Imagina ela a perfeita perfeição
Enquanto ele é imperfeito e infinito
Que a vê bela e com uma ponta de paixão
Lê as cartas sem respostas que tem escrito
Desenha com o lápis o que pensa
Mas pára e escreve o que sente
Rabisca linhas e as compensa
Com mais outra carta inocente
Crendo na resposta e com felicidade
Lembra do que não sabe e persiste
À desconhecida uma carta de amizade
Apenas para saber se ela existe.
escrever cartas sem resposta é um auto-sacrifício, já que, geralmente, se fala coisas que as pessoas deveriam saber, mas não sabem.
Somente um poeta tem esperança.