Arquivo para Abril, 2008

Sob o sereno do céu

 

Sob o sereno do céu ele se junta

Se esconde, se brinca

Toca o céu com os dedos e não mente

Sob a luz da lua assim sempre se sente

 

Enquanto tudo é verdadeiro

Se mostra a ele o fantástico

O momento da despedida é o derradeiro

Mas se tranqüiliza em tom de música, é mágico

 

Sob o sereno do céu ele se contenta

Muito mais escuta ao que diz

Sorri e uma única beleza contempla

Sob o sereno do céu que o deixa feliz.

 Antítese

 

Antiamizades, antivocê e anti a carta que amassei

Depois de desafogar meu ego Narciso

Antes de antitudo que nada sei

 

Anti-raças e antipreconceito

Anti-sexo, antiprazeres e antipecados

Anti-sabores que se escondem em seu peito

Antipaixões e amores antes de ser amado

 

Antianarquias, repressões e liberdades

Antes das solidões sem saudades

Antidepressivos e antilusões sem meus olhos

Anti uma última noite sem meus sonhos

 

Antichifres, orações e louvores

Antitodos os seguidores do mal

Anti-rosas, bromélias e outonos sem dores

Antes de qualquer tipo de juízo final

 

Antitempo e todo ele perdido

Antes do passado e do futuro vivido

Antipoetas de letras desintendíveis

Depois de odiar todos os meus ódios invisíveis.

 

Um belo dia

 

Brisas sopram a chegada do amanhecer

Sob um céu coberto de males e ruínas

Meus olhos cegos agora podem ver

Derrotismo ao enxergar vida destruída

 

Como um amargo ferimento

Anulo o prazer do sonhar e saber

Entre mágoas e falso contentamento

Dentro do absurdo de nada poder ser

 

Mesmo com um único minuto de colapso

Uma piscadela ainda se dá ao fracasso

Mas traga alguém até mim um belo dia

Traga-me o sol que ainda hoje irradia.

 

Mesmo ao som da nota que faz o enredo

O azul do céu ainda é negro

Mas traga alguém até mim um belo dia

O mundo, a lua e o sol que ainda irradia.

 

O encontro da fantasia com a realidade

 

Uma doce lágrima escorre sobre as flores

É a melancolia de um mentiroso absurdo

Traições que causei entre meus falsos amores

Doces gotas de sangue escorrem sobre o mundo

 

Alguns animais mortos a minha volta

O encontro da fantasia com a realidade

Um anjo de asas despedaçadas me escolta

Causando-me utopias e uma só prosperidade

 

Como se em nenhum momento houvesse mentido

O alcoolismo beija meus lábios

Como se nada houvesse sentido

Visões alucinógenas distorcem meus atos

 

Ela está vindo novamente

O encontro da mentira com a verdade

E a chuva lava minha loucura decadente

Causando-me utopias e uma só calamidade.

 

Sinceramente sincero 

É quando o encontro encontra olhares
Sobre um flash de desejo
Que o louco se afoga em mares
Repleto de amores e sem medo

Com brincadeiras meias verdades
Sem rosas ou chocolates
Ainda sem tempo para saudades
Vive sem segredos ou outras curiosidades 

Sobre contos ou outras histórias
Enquanto o louco afaga seus ares
Enche de ar o seu peito
E não fala, mas escreve com sinceridade.

 


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São dez palavras, secas, escritas. Se dizem caladas, digo egoístas.

Ora, por que poesia?

Muitos de nós vivemos em busca de alguns significados, porques. Explicações para o que sentimos, desejamos, ou até porque as vezes sorrimos e choramos. Para isso, textos científicos e autoajudas, cheios de porques, são escritos para nos confortar e fazer parecer que, para tudo, existe para tudo um porque.
Diante desses complexos, a poesia é mais simples. Ela não tem significados, porques. Ela é como o amor que sentimos e não sabemos explicar porque, simplesmente, não há um porque. A poesia é apenas sentimento passageiro, um desenho irresponsável com as palavras que sai da cabeça, corre pelo papel e alí fica. Alí fica sem sabermos porque.

O auto-autor:

Tiago Ribeiro é estudante de jornalismo e vive sob a liberdade da música. Não acredita no dinheiro como fonte de felicidade e em pessoas que não o olhe nos olhos – acredita nas crianças. Dorme pouco para viver mais, e acorda cedo para ver o sol.

Para parar para pensar:

“Há tempos, desde que o fura-fila é tido como esperto, a palavra corrupção está distorcida.”

Que fiz eu?

E-mail:

tiago.ribeiros@terra.com.br